Nenhuma mulher enfrenta a violência sozinha.
Uma plataforma de informação, acolhimento e caminhos seguros para o enfrentamento à violência doméstica, desenvolvida em parceria com a Casa das Pretas — sede do Coletivo Mulheres Negras da Periferia, no Coroadinho, São Luís‑MA.
Foto: acervo Casa das Pretas / Coletivo Mulheres Negras da Periferia
Um site para informar, sensibilizar e encorajar a denúncia
Projeto vinculado ao curso de Segurança da Informação, na modalidade de Projeto de Ensino Extensionista, desenvolvido junto à instituição parceira Casa das Pretas. A proposta nasce do entendimento de que a violência doméstica — física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral — é uma questão de segurança pública e de direitos humanos, e que o acesso à informação é uma das primeiras ferramentas de proteção.
Sensibilizar
Campanhas de conscientização junto à comunidade e à mídia, reforçando a importância de apoiar vítimas e romper o silêncio.
Informar
Divulgação clara das leis relacionadas à violência doméstica, dos direitos das vítimas e das penalidades previstas para agressores.
Encorajar a denúncia
Canais seguros e confidenciais para vítimas e testemunhas relatarem casos de violência, com orientação sobre os próximos passos.
As cinco formas de violência doméstica previstas em lei
A Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) reconhece que a violência doméstica vai muito além da agressão física — e nomear cada forma ajuda a identificá‑la mais cedo. Entenda o ciclo da violência ↓
Física
Qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal.
Psicológica
Ameaça, humilhação, manipulação e controle que causem dano emocional.
Sexual
Constranger a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada.
Patrimonial
Reter, subtrair ou destruir bens, documentos ou recursos financeiros.
Moral
Calúnia, difamação ou injúria contra a vítima.
O ciclo da violência
A violência doméstica raramente é um episódio isolado — ela costuma se repetir em um padrão circular, descrito por especialistas em três fases. Reconhecer esse ciclo ajuda a entender por que é tão difícil romper o silêncio sozinha.
Aumento da tensão
Pequenos atritos, irritação crescente, hostilidade e clima de medo se instalam no dia a dia.
Explosão / episódio agudo
A tensão se transforma em agressão — física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral.
"Lua de mel" / reconciliação
O agressor se arrepende, promete mudar e demonstra carinho — até a tensão recomeçar a subir.
↻ Sem intervenção, o ciclo tende a se repetir e a se intensificar a cada volta.
Sinais de alerta em um relacionamento
Nenhum sinal isolado prova violência, mas a repetição e a combinação deles merecem atenção.
- Controle excessivo de roupas, celular, amizades ou horários.
- Isolamento progressivo da família e dos amigos.
- Ciúmes intenso justificado como prova de amor.
- Humilhações em público ou em privado.
- Ameaças contra a vítima, os filhos ou animais de estimação.
- Controle total do dinheiro ou impedimento de trabalhar.
- Culpar a vítima pelas próprias atitudes agressivas.
Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006
Conhecida como Lei Maria da Penha, cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher e estabelece medidas de assistência e proteção às vítimas em todo o território nacional.
anos de vigência da lei — um marco na proteção de mulheres em situação de violência no Brasil.
O que a lei garante
- Medidas protetivas de urgência, como afastamento do agressor do lar.
- Atendimento prioritário e humanizado nas delegacias especializadas (DEAM).
- Encaminhamento a serviços de assistência social, saúde e jurídica.
- Possibilidade de denúncia por qualquer pessoa que testemunhe a violência.
- Reconhecimento do feminicídio como circunstância qualificadora do homicídio (Lei nº 13.104/2015).
Como agir, passo a passo
Cada situação é única, e nem sempre é possível seguir todos os passos na ordem — mas este roteiro ajuda a organizar as próximas ações, seja para você ou para alguém que você queira apoiar.
Reconheça os sinais
Nomear o que está acontecendo — física, psicológica, sexual, patrimonial ou moralmente — já é um passo de proteção.
Busque um lugar seguro
Se houver risco imediato, priorize sair do local e ir para perto de pessoas de confiança antes de qualquer outra providência.
Ligue para o 190 ou 180
Em emergência, acione a Polícia Militar (190). Para orientação e encaminhamento, ligue para a Central de Atendimento à Mulher (180).
Registre um boletim de ocorrência
Pode ser feito na Delegacia da Mulher (DEAM) ou em qualquer delegacia. O relato da vítima já é uma prova válida.
Solicite a medida protetiva
Pela Lei Maria da Penha, o juiz deve apreciar o pedido em até 48 horas — ela pode determinar o afastamento do agressor.
Busque apoio psicossocial
CRAS, CREAS e espaços comunitários como a Casa das Pretas oferecem escuta, acolhimento e encaminhamentos contínuos.
Fortaleça sua rede de apoio
Avise pessoas de confiança sobre a situação. Testemunhas e apoiadores fazem diferença real na proteção e na denúncia.
Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda
Estes canais funcionam de forma gratuita e, na maior parte dos casos, sigilosa. Em caso de risco imediato, ligue para o 190 ou vá até a delegacia mais próxima.
Central de Atendimento à Mulher. Recebe denúncias, orienta e encaminha para a rede de proteção mais próxima.
Polícia Militar — acionar em situação de violência em curso ou risco imediato.
Disque Direitos Humanos, para denúncias de violações contra mulheres, crianças e adolescentes.
Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher — registro de boletim de ocorrência e solicitação de medida protetiva.
Centro de Referência de Assistência Social do seu bairro — acolhimento, escuta e encaminhamentos.
Escuta afetiva, rodas de conversa e encaminhamento para a rede de proteção. Veja o contato completo abaixo.
Este site é um projeto educativo de extensão universitária e não substitui o atendimento de emergência. Se você está em perigo imediato, ligue para 190. Prefere escrever antes de ligar? ↓
Prefere escrever?
Se ligar agora não é seguro ou não é o que você quer, escreva. Ao enviar, abrimos uma conversa de WhatsApp já preenchida, direcionada ao número da Casa das Pretas — nada é enviado ou armazenado por este site, e você decide o momento de realmente apertar "enviar" por lá.
Dúvidas comuns sobre violência doméstica e denúncia
Mitos e desinformação afastam muitas mulheres da ajuda que precisam. Aqui, respostas diretas às perguntas mais frequentes. Participe da pesquisa do projeto ↓
Só é considerado violência doméstica se houver agressão física?
Não. A Lei Maria da Penha reconhece cinco formas de violência doméstica: física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. Qualquer uma delas já caracteriza violência e permite buscar proteção legal.
Preciso ter provas ou marcas para registrar um boletim de ocorrência?
Não necessariamente. O próprio relato da vítima já é considerado no registro. Fotos, mensagens, áudios e testemunhas ajudam, mas a ausência deles não impede a denúncia.
Quanto tempo demora para sair a medida protetiva?
A Lei Maria da Penha prevê que o juiz aprecie o pedido de medida protetiva de urgência no prazo de 48 horas a partir do recebimento do expediente pelo Judiciário.
Qualquer pessoa pode denunciar, ou só a vítima?
Qualquer pessoa que testemunhe ou tenha conhecimento de uma situação de violência doméstica pode denunciar — familiares, vizinhos, amigos ou profissionais de saúde e educação.
Ao denunciar, corro o risco de perder a guarda dos meus filhos?
Não. Buscar proteção contra a violência doméstica não retira automaticamente a guarda dos filhos. Pelo contrário, a lei prevê medidas que também protegem crianças e adolescentes expostos à violência.
A denúncia é sigilosa?
Os canais de orientação como o 180 funcionam de forma sigilosa. Já o boletim de ocorrência é um documento oficial, mas o acesso a ele é restrito e a vítima pode solicitar medidas de proteção à sua privacidade e integridade.
Contribua com esta pesquisa
Este questionário é parte do projeto de extensão e ajuda a entender melhor a realidade da violência doméstica no território. É totalmente anônimo — não pedimos nome, e-mail ou qualquer dado que possa te identificar.
Questionário anônimo — 10 perguntas rápidas
Leva menos de 3 minutos. Você pode pular qualquer pergunta e fechar a qualquer momento.
Sua participação é voluntária. Você pode pular qualquer pergunta ou fechar o formulário a qualquer momento, sem nenhum prejuízo. Se em algum momento precisar de apoio, a rede de apoio está sempre disponível — 180 ou 190.
Casa das Pretas & Coletivo Mulheres Negras da Periferia
Centro cultural situado no Coroadinho, São Luís‑MA, fundado em 2019 pela ativista social Kássia Juliana Costa — a Jú do Coroadinho. Atua no fortalecimento e na emancipação de mulheres, crianças e juventudes periféricas em situação de vulnerabilidade social.
Kássia Juliana Costa — Jú do Coroadinho
“Tudo que nós têm é NÓS!”— Emicida, citado pelo Coletivo Mulheres Negras da Periferia
Missão
Promover a qualidade de vida e os direitos das mulheres, crianças e juventudes negras das periferias e favelas, em especial do Coroadinho, contribuindo com seu empoderamento individual, coletivo, político e econômico.
Visão
Ser referência no Maranhão na promoção de ações que garantam a qualidade de vida e os direitos das mulheres, crianças e juventudes negras das periferias e favelas.
Valores
Compromisso, honestidade, transparência e respeito às diversidades.
Frentes de atuação
Cultura, educação, profissionalização, empreendedorismo e soberania alimentar, alcançando diretamente pelo menos 12 dos mais de 20 bairros do Coroadinho. Veja cada projeto em fotos ↓
Cine Coroadinho
Primeira sala pública de cinema da favela, com exibições e oficinas gratuitas.
Pretoteca
Biblioteca comunitária de acervo afrodiaspórico e mediação de leitura.
Cozinha Ancestral
Soberania alimentar e profissionalização de mulheres do território.
Elas sem Tabu
Enfrentamento à pobreza menstrual com rodas de conversa e distribuição de absorventes.
Tambor de Crioula
Filhas de São Benedito
Manutenção viva da tradição cultural e ancestral maranhense.
Tambor de Crioula Mirim
Iniciação cultural de crianças de 6 a 15 anos nas raízes do tambor.
Capoeira Arte e Vida
Aulas semanais e gratuitas para crianças, adolescentes e jovens.
Laboratório Antirracista
Inclusão digital gratuita para a juventude do território.
O que já foi conquistado
- +6 mil toneladas de alimentos distribuídas a milhares de famílias em vulnerabilidade.
- Implantação da Cozinha Solidária Ancestral, com sopões e ações como a Páscoa Solidária.
- Milhares de atendimentos diretos em ações de segurança alimentar no território.
- Criação do Tambor de Crioula Filhas de São Benedito e do Tambor de Crioula Mirim.
- Projeto Capoeira Arte e Vida, com aulas gratuitas para crianças e jovens.
- Dezenas de eventos culturais realizados no Quintal das Pretas.
- Curtas "Caminhos das Pretas" e "A favela tá no clima!", sobre justiça climática e direito à leitura.
- Centenas de mulheres capacitadas em costura, trancista, doces e salgados, barbearia e mais.
- Escola de Líderes, em parceria com o Instituto Global Atitude e o Ministério do Trabalho.
- Formação de adolescentes em educação financeira e sexualidade, com a Plan Brasil.
- Milhares de absorventes e coletores menstruais distribuídos, com rodas de conversa sobre pobreza menstrual.
- Reforma da sede e estruturação da Pretoteca, biblioteca comunitária.
- Doação de computadores para inclusão digital no território.
- Premiações em editais nacionais e estaduais de cultura e cidadania.
Projetos em imagens
Um carrossel para cada frente de atuação da Casa das Pretas — use as setas ou os pontinhos para navegar pelas fotos de cada projeto.
Tambor de Crioula Filhas de São Benedito
O grupo adulto do Tambor de Crioula em apresentações pela cidade e em festivais.
Tambor de Crioula Mirim
Crianças e adolescentes aprendendo toque, dança e canto do tambor de crioula.
Cine Coroadinho
Sala de cinema pública a céu aberto, com sessões gratuitas para a comunidade.
Cozinha Solidária Ancestral
Soberania alimentar, profissionalização e distribuição de alimentos no território.
Inclusão Produtiva
Cursos profissionalizantes de costura, corte e cabeleireira para mulheres do território.
Laboratório Antirracista
Inclusão digital, formação e fortalecimento de lideranças negras no território.
Pretoteca
Biblioteca comunitária de acervo afrodiaspórico, com mediação de leitura e oficinas.
Casa das Pretas — o espaço e a comunidade
A sede, o quintal cultural e outras frentes do Coletivo: capoeira, defesa pessoal e mediação de leitura nas escolas do bairro.
Na mídia
Uma seleção da cobertura jornalística sobre a Casa das Pretas e o Coletivo Mulheres Negras da Periferia desde 2021, reunida no clipping de imprensa da própria instituição.
- Campanha contra fome de mulheres no CoroadinhoJornal O Imparcial · 08/06/2021
- Jú do Coroadinho é referência em ativismo socialEstadão · 20/04/2022
- Lançamento do Projeto Caminhos das PretasJornal O Imparcial · 21/04/2022
- Reportagem sobre o Projeto Caminhos das PretasRádio Universidade FM · 13/05/2022
- Vídeo do projeto "A favela tá no Clima"Canal Casa das Pretas SLZ · Março/2023
- Entrevista, Programa Comando da ManhãRádio Timbiras · 06/03/2023
- Dia da Mulher MaranhensePrograma Daqui, TV Mirante · 11/03/2023
- Projeto Pretas Climáticas e a luta contra o racismo ambientalAgência de Notícias das Favelas (ANF) · 20/04/2023
- Reportagem sobre o Projeto Casa das PretasJTV UFMA, Programa Fala Comunidade · 27/04/2023
- Casa das PretasEntrevista TV UFMA, Fala Comunidade · 12/06/2023
- Dicionário de Favelas Marielle FrancoWiki Favelas · 19/07/2023
- Intercâmbio entre iniciativas apoiadas pelo Fundo Dema, no MaranhãoCanal Fundo Dema · Julho/2023
- Julho das Pretas 2023 — "Do quilombo à favela"JTV UFMA · 25/07/2023
- Lançamento da websérie documental "Caminhos das Pretas"G1 Maranhão · 27/07/2023
- Websérie "Caminhos das Pretas" no CoroadinhoAgência Tambor · 28/07/2023
- Casa das Pretas: representatividade, formação e empreendedorismoRádio Mirante News · 02/06/2024
- Zabumbada 2024 reúne artistas maranhenses e convidadosJornal O Imparcial · 04/07/2024
- "Filhas de São Benedito" participa da Festa Literária das FavelasPortal Na Mira · 12/11/2024
- Protagonismo feminino: mulheres negras no combate à fomeG1 Maranhão · 20/11/2024
- "Quadro Resenha na Quebrada" — Projeto Casa das PretasTV Mirante · 21/05/2025
- Encontro de comunicação e cultura põe o Coroadinho no centro da rodaAgência Tambor · 2025
- Cadastro na Plataforma Cultura VivaMinistério da Cultura
Clipping completo disponível mediante solicitação à própria instituição.
Visite, ligue ou escreva
O espaço recebe a comunidade do Coroadinho e parceiros de projetos sociais e culturais.
- EndereçoAv. José Sarney, nº 1, Bom Jesus/Coroadinho, São Luís – MA, CEP 65.044‑520
- Telefone+55 (98) 97006‑8832
- E‑mailcoletivomulheresnegras10@gmail.com
- Instagram@coletivo.mulheresnegras
- YouTubeCasa das Pretas SLZ
- Razão socialCNPJ 53.575.281/0001‑77
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Casa das Pretas
Centro Cultural Favela · Cinema · Cursos
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Referência: Frigorífico Ferreira,
esquina com Av. José Sarney
Roda de Proteção